quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

a elite parola


sobre a nova ortografia levanta-se novo acesso febril. agora aproveitando o alargamento do período de transição (e não de suspensão ou adiamento da vigência do Acordo), por parte do governo brasileiro ou, se calhar também, pela mudança de secretário de Estado da Cultura. vá lá o diabo saber ao certo. o certo é que a elite parola portuguesa não para de lutar contra o interesse nacional e contra o interesse da Língua Portuguesa no mundo.
as contas são boas de fazer. somos 240 milhões de falantes e escreventes da Língua. mas só os brasileiros são 180 milhões. quer dizer, o Brasil representa 3/4 da Língua, nós e os restantes, 1/4  (e deste 1/4, como é sabido, nem todos são bem-bem lusofalantes e muito menos bem-bem lusoescreventes).



é bom de ver que, no caso de não harmonizarmos as nossas normas escritas, se não houver uma norma comum, sempre que a nível internacional se tenha de escrever em Língua Portuguesa a norma utilizada será a brasileira. isso já se verifica em documentos da própria União Europeia.

como é bom de ver, o Brasil não precisa de nós para nada. nós é que precisamos que o Brasil adira a um Acordo connosco. caso contrário, ficaremos dependentes da norma brasileira. e é muito bem feito.

mas a estupidez da elite parola portuguesa não chega lá. prefere ser autocontemplativa, autossuficiente e pequenina.

e pior: a elite parola já não argumenta, já não dá razões. diz que a nova ortografia é "desconchavada", "pessimamente fundada" e "inútil". a elite parola é assim: decreta e já está. politicamente correta, estúpida e gravemente daninha para o País e para a Língua Portuguesa. 

gente fina é outra coisa...

que deus vos perdoe.

……………………………………………………………………………………………. 
PS: o que estamos a assistir é a uma rivalidade Angola-Brasil, que teríamos obrigação histórica de apaziguar e resolver, no superior interesse da Língua e da Cultura Portuguesas. pelo meio, metem-se uns pequenos interesses editoriais e umas pequenas vaidades intelectuais com medo que o Brasil os coma, em lugar de verem no Brasil uma enorme oportunidade de expansão. enfim, a inteligência é um bem escasso...





lusitanos...


a minha filha de 8 anos apresenta-me o seu livro "História de Portugal", do 1º. Ciclo do Ensino Básico. e quer que a ajude a compreender o que diz na página 9:

"Lusitanos - assim se chamavam os nossos antepassados. eram descendentes dos Celtiberos (povos descendentes da união dos Celtas com os Iberos) e habitavam a Lusitânia. viviam em grupos de famílias (tribos) e habitavam pequenas casas redondas ou quadrangulares, no cimo dos montes, para melhor se poderem defender dos inimigos. a estes povoados deu-se o nome de castros".

sobre a Galécia, a Galiza, o Norte de Portugal, nada. um imenso amarelo. 
sobre os castros de Sanfins, Briteiros, Santa Luzia, Sabroso, Santa Tecla, que ela conhece, nada. 

- ó papá, que tem a Galécia ou Galiza de mal para não falarem dela? - pergunta-me. 
- ó filha, sei lá, talvez não saibam, talvez tenham aprendido mal a História de Portugal... 

não tarda nada estão a ensinar que Afonso Henriques era descendente de Viriato por parte do pai e de Sertório por parte da mãe... 
o interessante disto é que, para fugir à questão galega, a História que se ensina em Portugal nos faça descendentes de um povo de uma Província romana com capital em Mérida. e esqueça que, se somos descendentes dos Lusitanos - bem decerto alguns seremos -, fomos então conquistados por galegos rebeldes (Afonso Henriques & Cª.) enfim... 



lusitanos?...pfff...