um argumento espetacular contra a nova ortografia consiste em que para se escrever em Castelhano ou Alemão ou noutra língua na internet é necessário escolher a respetiva variante (de Espanha, da Argentina, do México; da Alemanha, da Áustria, da Suiça; etc). logo - diz-se - o Acordo Ortográfico é inútil. mais uma vez confunde-se ortografia, ou seja a maneira de escrever as palavras, com variantes da língua, sua prosódia e seu léxico. por exemplo, o uso preferencial do gerúndio no Brasil é uma coisa, escrever o verbo na sua forma de gerúndio é outra. dizer "estou escrevendo" ou "estou a escrever" é uma dicotomia que pode levar a escolher uma variante da Língua na internet. mas que não tem qualquer relevância para a ortografia. é difícil ultrapassar a má fé e a ignorância. mas o que mais doi é essa luta insensata contra os nossos interesses. os hispanófonos usam uma única ortografia; os germanófonos - com a exceção "aportuguesada" dos luxemburgueses - também. talvez eles saibam coisas que os nossos contristas não sabem. talvez eles saibam que a harmonização das ortografias é uma coisa importante para a afirmação das suas línguas no mundo.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
sebastianismos
vejo por aí propostas de "alternativas" políticas que me assustam. começando a desfiar as pontas das suas possíveis consequências, o resultado é medonho. mas alguns têm um jeito imenso para fazer o embrulho. tanto jeito, que quem os ouve e lê pode cuidar que dizem exatamente o contrário do que realmente dizem. os grandes sebastianismos são assim. o nevoeiro não os deixa ver nitidamente.
domingo, 27 de janeiro de 2013
o novo moralismo racista
agora querem crucificar o pobre do Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, porque disse simplesmente o que se vê e não o que se deve ver. pois é, o homem está desatento e desatualizado. é que já não se pode dizer que o branco é branco e que o preto é preto, que o alto é alto e o baixo é baixo, que o gordo é gordo e o magro é magro, que o homem é homem e a mulher é mulher.
mas se tirarmos o mal que certas pessoas veem na palavra "escurinho", a metáfora de Arménio Carlos não podia ser mais exata nem mais certeira. realmente, segundo a lenda ou o mito, os reis magos eram três, um deles era o Gaspar e um outro, o Baltazar, era, comèqueidedizer... não caucasiano.
ó xente, o racismo não está nas palavras que descrevem a realidade, está nos atos, no pensamento e naquilo que sentimos. o mal não está em chamar escuro a quem é realmente escuro, o mal está em pensar e em sentir que ser escuro é ser inferior.
Abebe Selassié é realmente escurinho, mas, quanto ao resto, é simplesmente um entre os três soturnos embaixadores da Troika em Portugal, tal como, sem coceiras étnicas, Baltazar, o negro, era um entre os três reis do Oriente.
chego a pensar que os verdadeiros racistas são os que veem racismo em tudo. e, já agora, se alguém me chamar clarinho devo levar a mal?
sábado, 26 de janeiro de 2013
os deputados e a alcoolémia
um deputado do CDS-PP e uma deputada do PS foram apanhados pela polícia conduzindo com taxas de alcoolémia festiva acima do permitido por lei. provavelmente não sabemos de outros casos, de outros deputados e de outros partidos porque, simplesmente, não foram apanhados. seja como for, isso são coisas que acontecem a qualquer ser humano, seja deputado ou não. mas há por aí quem pense que os deputados e os políticos devem
ser santos, vestir de branco, usar umas asinhas de tule transparente e um
arquinho de oiro sobre a cabeça. isso é ridículo e dá uma medida da nossa hipocrisia
bacoca, se não mesmo da nossa propensão autoritária para um justiceirismo de pacotilha. por mim, chega bem que sejam bons legisladores, que saibam qual é
o interesse público do que fazem e se submetam e sujeitem, como todos nós, às
leis que fazem e às consequências de as não cumprirem. nem mais, nem menos.
o facto de serem legisladores não os impede de ser humanos e não os impede de
cometer, aqui e além, desvios ou violações às leis que fazem. precisamente porque
são humanos é que fazem leis (porque os animais só obedecem às leis da natureza).
e precisamente porque são humanos é que podem, às vezes, não cumprir
integralmente as leis que fazem. até aqui tudo bem. e continuará tudo bem se,
violando a lei, forem sancionados de acordo com a própria lei que produziram. nem
mais, nem menos.
caso contrário, é como punir um médico por fumar, comer um hambúrger, beber um copo ou, simplesmente adoecer. mas...será que já faltou mais?
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
a grande poda
era uma árvore frondosa
talvez demais.
fazia sombra e tal,
não havia sombra igual.
vieram os de fora
fazer a poda.
e a árvore frondosa
talvez demais,
por aquele trabalho colossal
ficou um tronco sem mais.
dizem os de fora
que está melhor agora
com esse remédio mortal.
mas eu,
entristecido,
duvido.
acho poda a mais.
realmente,
que grande poda...
ó xente...
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
a velhinha do glaucoma
Lisboa. molhado como um pitinho. vou ao Multibanco. uma
velhinha, de gabardine branca aborda-me:
- senhora...
- (não respondo)
- ah, é homem...
defensivo, respondo:
- sim...
- sabe, eu não vejo, tenho glaucoma...
- (não respondo)
- sou professora, trabalhei na Emissora Nacional, estou aqui hospedada numa residencial, e se não lhes der 10 euros até ao meio dia põem-me na rua. ajude-me por favor...
chove. pareço mais um peru molhado. não tenho tempo para hermenêuticas. aceito a estória. dou-lhe dois euros, a única moeda que tinha.
- ponha-me aqui na mão, não vejo... quanto me dá?
- dois euros.
- muito obrigada...
- senhora...
- (não respondo)
- ah, é homem...
defensivo, respondo:
- sim...
- sabe, eu não vejo, tenho glaucoma...
- (não respondo)
- sou professora, trabalhei na Emissora Nacional, estou aqui hospedada numa residencial, e se não lhes der 10 euros até ao meio dia põem-me na rua. ajude-me por favor...
chove. pareço mais um peru molhado. não tenho tempo para hermenêuticas. aceito a estória. dou-lhe dois euros, a única moeda que tinha.
- ponha-me aqui na mão, não vejo... quanto me dá?
- dois euros.
- muito obrigada...
- vá com deus...
e assim engoli a estória da ceguinha que não vê nada exceto o sítio do Multibanco.
posso ter errado na probinha certa, mas acho que sempre capitalizei qualquer coisa para desconto dos meus pecados...
e assim engoli a estória da ceguinha que não vê nada exceto o sítio do Multibanco.
posso ter errado na probinha certa, mas acho que sempre capitalizei qualquer coisa para desconto dos meus pecados...
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
a nova ortografia da Língua Portuguesa
eu já compreendi que em questão de Acordo Ortográfico o problema não é a nova ortografia, mas sim o facto de ser um acordo entre dois países que partilham a mesma Língua. e como nós já nascemos "donos" dela, esquecendo que antes de nós estão os galegos, e connosco a partilham outros, então qualquer acordo, fosse com quem fosse, seria uma subserviência, uma queda de um pedestal imaginário. o assunto está resolvido e, felizmente, resolvido da única maneira possível: como sempre, em qualquer área normativa, através das Academias com competência para o ter feito. teria sido trágico para a Língua Portuguesa, como instrumento de comunicação e trabalho internacional, que se tivesse cedido às diatribes de quem nem sequer fez um esforço para ler o Acordo e para o compreender e conhecer. os exemplos de críticas sem fundamento e fora de propósito são mais do que a regra. a repetição de inverdades e invenções ridículas enjoa. o cheiro a aversão a tudo o que é brasileiro perpassa por todas as discussões sobre o assunto. sim, porque nós, que em tudo o mais nos consideramos inferiores aos outros, e até falamos Inglês para parecermos melhor, em matéria de Língua Portuguesa é que sabemos, nós é que falamos bem, nós é que escrevemos bem, nós é que. e se tivéssemos ficado de fora, com o nosso chauvinismo, o nosso isolacionismo e o nosso incompreensível antibrasileirismo, não seríamos, daqui a meia dúzia de anos, mais do que uns pategos dialetais a quem ninguém daria mais importância que a que se dá a um holandês ou dinamarquês ou maltês ou checo quando se exprime na sua respeitável Língua. ninguém, nem sequer aqueles falantes que, por agora, ainda se dão ao trabalho de nos seguir. porque a atração pelo gigante brasileiro é uma atração inevitável. hoje, conseguimos um acordo. amanhã, os brasileiros te-lo-iam dispensado. eles e os que hoje ainda nos seguem. passavam muito melhor sem nós do que nós sem eles. salvámos, pois, a Língua portuguesa de Portugal de desaparecer do mapa da importância internacional. estamos de parabéns.e, pela parte que me toca, não posso esconder o orgulho de, neste assunto, ter estado sempre do lado certo.
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