quinta-feira, 15 de maio de 2014

batizar extraterrestres

se calhar por distração, o Papa Francisco largou aquela graça de dizer que estaria disposto a batizar até extraterrestres.
fica-lhe bem a intenção, mas a coisa não é assim tão simples.
diante de extraterrestres, é possível que o Papa não seja mais que um chefe índio ou um sacerdote de tribos africanas, sujeito a ser ele o convertido, logo batizado.
porque isto de ser extraterrestre e visitar o nosso planeta tem muito que se lhe diga.
não deve ser obra de chefes índios nem de sacerdotes de tribos africanas, nem equivalente.
é claro que não tenho nada, antes pelo contrário, contra os chefes índios e os sacerdotes africanos, mas é cá um choque de civilizações que nem vos digo nem vos conto.
estará o Papa preparado para enfrentar uma civilização superior?
que irá ele dizer ou fazer que faça sentido para os nossos eventuais visitantes siderais?

domingo, 11 de maio de 2014

estou a ficar um kota

no Concurso Eurovisão da Canção ganhou "uma senhorita" austríaca adornada de barbas à "jesus-cristo". ora, eu acredito que há limites para tudo. até para o mau gosto.
ainda que, evidentemente, o mau gosto seja coisa que muda com os tempos.
seja como for, o que eu não sei é se a Conchita ganhou pelo que cantou - que era o caso do concurso - ou se ganhou pelo mau gosto.
e se foi pelo mau gosto, mais vale esquecer o concurso da canção.
que, aliás, já não frequento.
são novidades demais para mim. estou a ficar um kota.


mas sinto-me melhor assim.




sábado, 10 de maio de 2014

antibióticos "deco"rativos.

a "deco" ("associação de defesa do consumidor") resolveu, uma vez mais, brincar aos doentes e fazer uma "pesquisa" baseada na falsificação de sintomas por parte de pretensos "doentes". 
e desta vez concluiu que há "demasiada prescrição de antibióticos". 
é claro que, há muito que sabemos, sem necessidade de falsificar sintomas, que há demasiada prescrição de antibióticos, mesmo na presença de sintomas autênticos. 
e, muitas vezes, é o paciente que não fica satisfeito se não leva um antibiótico na prescrição. 
mas o "método" da "deco" é, no mínimo, execrável. 
ir ao médico de propósito para o enganar e o apanhar no engano não é digno. 
é muito pior do que prescrever antibióticos para sintomas falsos. 


cada um tem o que merece.




sexta-feira, 9 de maio de 2014

voz ativa...

entretanto, fui lendo coisas sobre políticos americanos, europeus, asiáticos, etc. e tal, mas sobretudo americanos, sobretudo "tea party", sobre gente de bom aspeto, sobre gente demasiado rica, sobre gente que não se sabe de onde lhe vem o que tem, sobre os trustes das armas e das drogas, armas para lá, drogas para cá, sobre como se espalham guerras para vender armas e como se trazem as drogas para o "Primeiro Mundo", sobre como se fazem as coisas nesse planeta. 
estarrecido é pouco. 
convenci-me de que vivemos num mundo onde por cima da vida normal, tão por cima que ninguém lhes chega, há um inferno de gente que manda em tudo, que controla tudo, que suga tudo. que decide do que é verdade e do que é mentira, do que é o "lado bom" e o "lado mau", do que "democrático" e do que é "ditador". 
e, acima de tudo, quem diz estas coisas concerteza é louco. 
e nós a pensarmos que temos algum poder, alguma voz ativa...




domingo, 27 de abril de 2014

novos santos

temos dois santos novinhos em folha. por sinal Papas. 
a coisa já estava em marcha quando Francisco chegou. e também não é por aí que o Francisco borra a pintura. fez bem em não mexer no assunto e deixá-lo seguir os trâmites até ao fim. na Igreja há de tudo e não é bom pastor o que divide as ovelhas. 
e fez ainda melhor ao dizer que coloca ao serviço dos pobres o ouro do Vaticano. já vi quem criticasse até isto, dizendo que o oiro acaba antes de acabarem os pobres. mas nisto, quando se quer mexer em alguma coisa, é-se preso por ter cão e preso por não ter. se não fizesse nada pelos pobres, aqui d'el rei que era um sovina e um especulador financeiro. não tenho pachorra para essas críticas. 
quanto ao caso dos Papas e do respetivo processo, é claro que há que dar à coisa da "santidade" um ar de gravidade e seriedade superior ao sentir da populaça. 
o "milagre" é uma boa peneira. ainda que os "milagres" se esgotem no setor da saúde, o que eu, como médico, entendo muito bem. o facto de haver "milagres" em todas as religiões aponta para mecanismos psico-imunitários complexos em que a projeção das dificuldades num ente afetivo mais ou menos virtual, ou até imaginário, pode por em marcha processos de reposição do equilíbrio físico e psíquico. 
não acredito em santos nem deixo de acreditar. já tive na vida momentos em que tive de projetar nessas figuras grandes e muito difíceis problemas. e por isso ou por qualquer outra razão, o resultado não podia ser melhor.
bem-vindos ao panteão, senhores santos novos.

médico a sério

não tenho tido muitas oportunidades de mostrar as minhas habilidades médicas em público, quando alguém se sente mal ou tem um acidente. 
mas ontem aconteceu. alguém se sentiu mal, alguém me reconheceu e zás, lá saltei para a ribalta. 
o maior problema são os mirones, que acorrem de todos os lados, cada qual com suas dúzias de olhos e palpites. 
mandar afastar e calar os espectadores é a parte mais difícil da cena. 
mas o melhor da festa foi o orgulho visível da minha mais nova por ter um pai médico a sério. 
estava convencida que eu era só psiquiatra.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

união Europeia?


ora bem, temos uma União Europeia, uma moeda única e era de supor que tivéssemos uma política de igualização solidária do ponto de vista orçamental e financeiro. 
uma União parece-me que seja uma coisa assim desse tipo. 
os orçamentos excedentários de uns devem cobrir os orçamentos deficitários de outros. caso contrário, para que serve a União? 
mas o que acontece é que os Estados mais "ricos" impuseram um pacto de espartilho aos Estados mais "pobres", como se todos os Estados da União estivessem no mesmo plano económico e social (e por que haveriam de estar?). 
é o chamado "Pacto Orçamental", que faz com que todos os Estados signatários tenham as mesmas regras financeiras, como se fossem todos iguais. e têm de produzir todos ao mesmo tempo cada qual o seu DEO - "documento de estratégia orçamental". 
um tal pacto o que produz é riqueza para os mais "ricos" e pobreza para os mais "pobres", fugindo à regra da complementaridade solidária e fazendo com que os Estados mais "ricos", para quem a União interessa pela livre circulação dos seus produtos, só tirem a parte melhor do sistema, evitando a parte mais desagradável, que é a de contribuírem solidariamente para o desenvolvimento dos mais "pobres". 
e com isso matam a União. primeiro, porque ela mata os Estados que não têm uma economia do tipo dos Estados "mais fortes"; segundo, porque em última análise acaba, mais tarde ou mais cedo, por destruir as vantagens que os Estados "mais ricos" tiram da União económica, financeira e política. porque Estado "mais pobre" não compra a "rico". 
então, ou os "Estados ricos" mudam de política rapidamente, ou adeus União Europeia e moeda única. 
e quero ver os "ricos" a vender aos "pobres" aquilo que produzirem.