sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

deus, religião e crueldade

é verdade que em nome de deus e da religião tem havido muitas guerras, muitas mortes e muita crueldade. 
mas as duas grandes guerras mundiais do século XX (guerras laicas), em que se matou mais gente que em tods as guerras anteriores, não foram feitas em nome de deus nem de nenhuma religião. 
o que quer dizer que as guerras, as mortes e a crueldade não são propriedade de deus nem das religiões, mas tão somente da loucura dos homena. 
é que podem mudar as bandeiras e os símbolos, mas a pulsão assassina permanece.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

vale mais deitar fora este país e fazer outro

é tanta a corrupção, tantos os braços do polvo, tantos os laços e atilhos, que já não há nada que limpe Portugal e o torne um lugar de respeito.
acho que o melhor é deitar fora este país e fazer um novo. de preferência com outro nome.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

a minha morte de deus

de todas as mortes com que lidei, a que mais me custou foi a morte de deus.
vivi com ele desde pequenino. via-o, ou melhor, imaginava-o, uma espécie de pai, bom quando me portava bem, mau quando me portava mal, nem bom nem mau quando me esquecia dele.
e assim vivi.
um dia, sem mais nem menos,disse-me:
- vais ter que te governar sem mim, estou muito doente. tenho o mal da inexistência.
- como assim, o mal da inexistência?
- eu, este que tu imaginas do fundo dos teus enigmas, não existo. posso ser outra coisa, mas não esse. posso ser tudo o que existe, um tudo de que tu fazes parte também. um tudo que existe desde sempre e jamais acaba, um tudo que se faz, refaz e desfaz e volta a fazer e a refazer eternamente. um tudo que é templo e geómetra de si mesmo.
e, subitamente, deixou cair a cabeça e desfaleceu.
fiquei órfão.
tentei acordá-lo, reanimá-lo, tentei negar a morte dele.
por fim, deixei que o deus de que ele me falou seguisse as suas próprias leis.


e, imerso nas leis desse deus, tive de começar por mim o meu Caminho.







segunda-feira, 3 de novembro de 2014

requiem

"requiem" quer dizer "descanso" e consiste num cerimonial e numa música destinada aos mortos recentes, acabadinhos de morrer ou mortos há poucos dias.
vem da ideia de que morrer é descansar.
infelizmente, é um descanso muito cansativo, como estar de férias mais de três semanas seguidas.
por isso, os mortos ao fim de trinta dias devem ficar fartos de tanto descanso.
digo eu.
e se virmos que se trata de um descanso eterno, a coisa torna-se uma condenação, uma pena perpétua propriamente dita. um inferno.


podia haver uns intervalos de vez em quando. uma espécie de jubilação com direito a fazer uns biscates. sempre era mais animado.
deus, vê lá isso...

sábado, 1 de novembro de 2014

publiciência

a velocidade a que a "ciência" produz artigos que alertam para os prodígios, vantagens e malefícios de muitos produtos, recursos, alimentos e até drogas tem a ver com a desnacionalização da produção científica, o desinvestimento público e o sistema de financiamento privado, ficando as universidades à mercê dos patrocínios de muitos mecenas interesseiros. 
assim sendo, o resultado da investigação é o pretendido pelos financiadores. a investigação deixa de ser ciência e passa a ser publicidade ou contra-publicidade. 
o fenómeno, que é particularmente evidente nas universidades americanas, ameaça estender-se e contaminar as universidades europeias, sobretudo depois da implantação do neoliberalismo e da sua querida "austeridade".

outra vez o leite de vaca

não sei a quem serve a teoria e os estudos "científicos" que tentam comprovar os malefícios do leite de vaca. 
sei que cada vez se vende mais leite de soja. e "laticínios" de soja. 
mas isso, provavelmente, é só uma importuna coincidência. 
o mais provável é que seja uma inovação revolucionária, daquelas a sério, que vai transformar de vez a nossa existência. 
é que o leite de vaca (e, já agora, o de ovelha, de cabra ou de camela) tem sido utilizado pelos nossos antepassados desde o Neolítico. 
convenhamos que o Neolítico é uma civilização fora de moda. antes de mais, porque os neolíticos morriam todos e alguns até tinham fraturas ósseas, sem saberem que era por causa do leite. 
e tanto não sabiam que até se davam ao luxo de o transformar em manteiga, queijo, queijadinhas, requeijão, leite creme e iogurtes. 
a nefasta ideia foi passando de geração em geração sem que os pobres descendentes se dessem conta da razão por que morriam ou por que tinham fraturas ósseas na pós-menopausa. 
mas, felizmente, agora sabemos: as pessoas que bebem leite morrem. 
e era tão fácil, afinal, viver para sempre: era só não beber leite! 
bingo!
infelizmente, para mim a descoberta já vem tarde demais. já bebi muito leite. não sei se ainda vou a tempo de não morrer.



sexta-feira, 31 de outubro de 2014

deus


bom, falemos de deus. 
para mim, deus e o universo são uma e a mesma coisa, aquilo a que chamamos bem e aquilo a que chamamos mal, os predadores e as presas, o dia e a noite, o ferro e a água, o arquiteto e o demolidor. o que está certo e o que está errado, o paraíso e o inferno, o bom e o mau tempo, a estabilidade biológica e as pragas. 
deus, esse tal que só não se criou a si mesmo porque não foi preciso: sempre existiu e sempre existirá, numa forma ou noutra, antes e depois do nosso Big Bang. 
e digo "nosso", porque bem de certo houve outros e haverá outros depois, noutros tempos, noutras bandas, noutras dimensões. 
um deus tão diverso e tão contraditório que egípcios, gregos, romanos, indianos e muitos outros o dividiam, ou dividem ainda, por centenas de personagens, masculinas e femininas, cada qual com seu feitio e artes. 
judeus, cristãos e muçulmanos dividem-no em dois: o propriamente dito e o diabo. por sinal ambos masculinos. por sinal, um impassível, mono, quieto, imobilista, misericordioso e pai; o outro traquina, desobediente, experimentalista, quiçá o mau filho. 
um observa candidamente, o outro faz. 
deus é o Universo, o Verbo, isto é, deus é uma palavra. 
(talvez continue...)