sexta-feira, 8 de maio de 2015

os votos inúteis

mais umas eleições, mais uma vitória conservadora.
num momento de crise gravíssima, tanto a nível económico, como institucional e de valores, podemos perguntar: como é possível que o partido, ou coligação, do poder se mantenha incólume? antes do mais, porque o segundo partido, em geral social-democrata ou socialista democrático, não é visto como uma alternativa séria. os eleitores veem-no como farinha do mesmo saco, ou seja, mais do mesmo, apenas com ligeiras diferenças éticas, estéticas e linguísticas.
multiplicam-se as alternativas redentoras, as receitas gerais, regionais, locais e particulares, as opções pela não-política, como o partido dos gatos e dos cães, o partido verde, amarelo, cor-de-rosa e arco-íris, o partido do pinto ou do morais.
perante a inutilidade destes votos em termos de uma real alternativa política, vai o status quo passando pelos buracos da chuva.
é claro que os eleitores devem saber o que fazem e perceber que num momento destes o melhor é votar no mal menor. que todas as alternativas redentoras não passam de cheques em branco aos que mandam hoje.
mas é preciso que o partido do mal menor nos convença de que o voto nele é um voto útil. caso contrário, como diz o outro, "pra pior já basta assim".
é o que dizem os votantes quando votam inútil.
mas, apesar de tudo, ainda não é o que eu penso.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

sobre certos delirantes defensores da defunta ortografia

na defunta ortografia, "assumpção" passou a "assunção"; "diccionário" passou a "dicionário", mas “dicção” manteve-se com o "c" porque se pronuncia;
e "contradição" é uma contradição, porque não se escreve "contradicção", como seria se estivesse de acordo com a tradição da "línguas europeias";
"estructura" passou a "estrutura";
"redempção" passou a "redenção", "redemptor" a "redentor";
e "tractado" passou a "tratado".
isto, já se vê, na mais completa "violação da tradição ortográfica das línguas europeias" - como dizem certos delirantes defensores da defunta ortografia.
por isso mesmo, uma ortografia litúrgica, bíblica, sacrossanta e morta.
pela mesma ordem de ideias, e já que a coisa está "violada" por natureza, não entendo porque "peremptório" não há de ser "perentório", nem por que "acção" não há de ser "ação", nem "Egipto há de ser "Egito", ainda que "egípcio" se mantenha com "p" porque se pronuncia.
além do mais, o Português é uma língua de origem europeia, mas não é as línguas europeias, nem as "línguas europeias" são o Português.
quem atura defensores da defunta ortografia bem decerto vai prò céu...

quarta-feira, 8 de abril de 2015

homossexuais, heterossexuais, bissexuais e o raio que os parta a todos

G., de 18 anos, revela no FB e ao Correio da Manhã-TV que é bissexual.
tão grande façanha comove-me.
merece toda a divulgação do mundo.
porque eu, quando tiver 18 anos, quero ser monossexual e hetero. e vou ao Correio da Manhã TV dizer isso mesmo: sou monossexual e hetero.
a minha opção, moda, destino, ou lá que é, não pode ficar comigo e com os meus segredos. tem que ser divulgada, urbi et orbi.
é um bocado retro, mas por isso mesmo: é preciso evitar e prevenir o bullying. enquanto é tempo.

sexta-feira, 6 de março de 2015

a "reforma e a desinstitucionalização" psiquiátricas em Portugal

um estudo recente de Filipa Palha aponta inúmeras inconsistências, incongruências e desigualdades no processo de "reforma e desinstitucionalização" psiquiátricas em Portugal. 
não sei muito mais do que diz o estudo e também não vou perder muito tempo com ele. mas que o processo de "reforma e desinstitucionalização psiquiátrica" em Portugal foi uma pessegada austeritária, isso foi. 
que hoje não há camas suficientes para "agudos" e que os "crónicos" estão por aí bem escondidos em instituições desvocacionadas e desequipadas, longe da vista dos curiosos, isso é. 
e que se eles descompensam não há onde os meter, também é verdade. 
e que é cada vez mais perigoso ser doente mental em Portugal, é. 
e tudo isso porque quanto mais barato melhor, que uma reforma e desinstitucionalização psiquiátrica sérias "custam muito dinheiro". 
não importa saber se o custo é menor que o benefício. ninguém está para fazer essas contas. toca a desinvestir, toca a cortar, toca a desmantelar, toca a destruir. é essa a cultura atual. 
e os doentes? doentes? quem quer saber disso?

domingo, 15 de fevereiro de 2015

democracia

a democracia é muito bonita. eu gosto muito da democracia. a democracia serve para a nossa alimentação.
se não houvesse democracia, roubava-se os trabalhadores e os reformados, esmagava-se a classe média com impostos, taxas e multas, e mandava-se para a rua, quer-se dizer, para a rua mesmo, todos os inúteis que não aguentassem os castigos e sanções económicas.
o que nos vale é haver democracia.
e é tão importante a democracia que o melhor é nem haver eleições, porque assim teremos democracia para sempre.
esta democracia, claro.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

deus, religião e crueldade

é verdade que em nome de deus e da religião tem havido muitas guerras, muitas mortes e muita crueldade. 
mas as duas grandes guerras mundiais do século XX (guerras laicas), em que se matou mais gente que em tods as guerras anteriores, não foram feitas em nome de deus nem de nenhuma religião. 
o que quer dizer que as guerras, as mortes e a crueldade não são propriedade de deus nem das religiões, mas tão somente da loucura dos homena. 
é que podem mudar as bandeiras e os símbolos, mas a pulsão assassina permanece.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

vale mais deitar fora este país e fazer outro

é tanta a corrupção, tantos os braços do polvo, tantos os laços e atilhos, que já não há nada que limpe Portugal e o torne um lugar de respeito.
acho que o melhor é deitar fora este país e fazer um novo. de preferência com outro nome.